Consultar score grátis em 2026: os 4 birôs e o Registrato

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Consultar score grátis é possível nos quatro birôs que operam no Brasil, pelo site ou pelo aplicativo de cada um, sem limite de vezes e sem prejuízo para a pontuação. O acesso é direito previsto na Lei 12.414/2011 e no Código de Defesa do Consumidor. O Registrato do Banco Central completa o retrato com o que os birôs não mostram.

Você abre um aplicativo e vê 680 pontos. Abre outro e vê 520. Nenhum dos dois está errado, e essa é a primeira coisa que precisa ficar clara antes de olhar qualquer número.

Cada birô tem base de dados própria, régua própria e calendário próprio de atualização. Consultar em todos faz sentido uma vez por ano, para saber o que existe registrado em seu nome em cada base, mas acompanhar evolução exige escolher um e ficar nele.

Neste guia você vai ver onde consultar de graça em 2026, o que cada birô mostra e por que os números divergem. Também trato de qual lei garante esse acesso e de como usar o Registrato do Banco Central. No fim, trato do que fazer quando a informação está errada e de como exigir a revisão de uma negativa automática.

Neste artigo

Onde consultar o score de graça em 2026

Quatro birôs operam no mercado brasileiro de informação de crédito, e todos oferecem consulta gratuita da pontuação ao titular do CPF. Nenhum deles pode cobrar por esse acesso básico.

BirôEscalaFaixasOnde consultar de graça
Serasa Experian0 a 1.0000–300 baixo, 301–500 regular, 501–700 bom, 701–1.000 excelenteSite e aplicativo da Serasa
SPC Brasil / CNDL0 a 1.0000–300 baixo, 301–700 bom, 701–1.000 excelenteAplicativo SPC Consumidor
Boa Vista (Equifax)0 a 1.0000–300, 301–500, 501–700 e 701–1.000, com risco de inadimplência associadoPortal e aplicativo Consumidor Positivo
Quod300 a 1.000Até 600 alto risco, 601–700 risco médio, 701–1.000 baixo riscoSite e aplicativo da Quod

O cadastro costuma pedir CPF, data de nascimento e dados de verificação de identidade. A consulta é ilimitada e a nota aparece na tela principal, quase sempre acompanhada dos fatores que mais influenciaram aquele número.

Muitos bancos e carteiras digitais também exibem a pontuação dentro do próprio aplicativo, por acordo com um dos birôs. É conveniente, porém vem com uma limitação que quase ninguém percebe. O aplicativo mostra o número sem o extrato de pendências e sem a lista de quem consultou seu CPF.

Na prática, o que eu mais vejo é gente consultando só onde é mais fácil e descobrindo tarde uma dívida registrada em outra base. Minha orientação é escolher um birô como termômetro mensal e, uma vez por ano, abrir conta nos outros três só para conferir o que existe em seu nome.

Por que seu score é diferente em cada birô

Os números divergem porque as escalas, as bases de dados e os modelos são diferentes. Comparar a nota de um birô com a de outro é como comparar temperatura em Celsius e em Fahrenheit.

O caso mais extremo é o da Quod, cuja escala começa em 300, e não em zero. Segundo a própria empresa, na página que explica as faixas de score da Quod, a pontuação vai de 300 a 1.000. O cálculo usa mais de mil atributos vindos de bancos, financeiras, concessionárias, varejo e fintechs.

A diferença de régua produz um efeito prático que engana muita gente. Numa escala de 0 a 1.000, uma nota de 700 pontos ocupa 70% do intervalo total. Na escala da Quod, os mesmos 700 pontos ocupam apenas 57,1% do intervalo, porque os 300 primeiros pontos não existem. Para ocupar a mesma posição relativa, seria preciso chegar a 790 pontos.

A segunda fonte de divergência é a base. Cada birô recebe dados das empresas que contrataram os serviços dele, então uma financeira pode reportar sua parcela para dois birôs e ignorar os outros dois. A terceira é o calendário, já que os envios não são simultâneos, e uma quitação registrada hoje num birô pode demorar semanas para aparecer no outro.

O erro que mais custa caro aqui é escolher o birô pelo número mais bonito. Se o banco onde você vai pedir crédito consulta outra base, a nota alta que você viu não participa da decisão. Quem decide é o modelo interno da instituição, alimentado pela base que ela assina.

A consulta gratuita é direito seu, e a lei diz qual

O acesso gratuito à própria pontuação não é cortesia comercial dos birôs. Ele está escrito em três camadas de norma que se reforçam.

A Lei nº 12.414/2011, no artigo 5º, inciso II, garante o acesso gratuito às informações existentes sobre você no banco de dados, independentemente de justificativa. Esse acesso inclui o histórico e a nota de crédito. O Decreto nº 9.936/2019, no artigo 10, acrescenta que o gestor deve disponibilizar esses dados de graça, inclusive por telefone. Entram na lista as fontes consultadas e os consulentes que acessaram seu histórico nos seis meses anteriores.

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 43, assegura acesso às informações arquivadas e às respectivas fontes. O Superior Tribunal de Justiça, na Súmula 550, fixou que o uso do escore dispensa consentimento. Em troca, o consumidor tem direito a esclarecimentos sobre as informações valoradas e sobre as fontes dos dados.

Essa última parte é a mais subaproveitada. Você pode exigir a lista de quem consultou seu CPF nos últimos seis meses. Ela costuma explicar quedas inesperadas na pontuação e revelar consultas que você não autorizou.

Muita gente acha que pedir esses dados cria atrito com o banco, e quase sempre está enganada. O pedido é dirigido ao birô, não à instituição financeira, e nenhuma solicitação de acesso entra no cálculo da sua nota.

Com que frequência vale a pena consultar

Uma vez por mês resolve para a maioria das pessoas. O SPC Brasil recomenda essa periodicidade na sua própria central de conteúdo. A nota depende de envios das fontes e raramente muda de forma relevante em poucos dias.

Três situações pedem acompanhamento mais próximo. Quem está renegociando dívidas precisa confirmar a baixa de cada acordo. Quem vai pedir financiamento nos próximos meses precisa chegar à data sem consultas recentes acumuladas. Quem já sofreu tentativa de fraude precisa monitorar consultas feitas por empresas ao CPF.

Doze consultas por ano custam zero, e esse é o ponto que torna a frequência mensal defensável. A maioria dos birôs oferece alerta gratuito por e-mail ou notificação quando a pontuação muda ou quando alguma empresa consulta seu documento, o que substitui boa parte da checagem manual.

O custo escondido da consulta compulsiva não é financeiro. Olhar toda semana produz sensação de estagnação, porque o intervalo é curto demais para registrar qualquer movimento. Essa frustração é o que faz as pessoas abandonarem os hábitos que funcionam. O caminho oposto está descrito no guia sobre como subir o score.

O Registrato do Banco Central mostra o que o score esconde

O score é um resumo estatístico. O Registrato, serviço gratuito do Banco Central, é a lista concreta do que existe em seu nome no sistema financeiro, e os dois servem a propósitos diferentes.

O acesso é feito com conta gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada, e o atendimento pela web é imediato. O serviço é gratuito ao cidadão, sem versão paga, e a página oficial atual fica em bcb.gov.br/meubc/registrato, já que o antigo endereço registrato.bcb.gov.br apenas redireciona.

RelatórioO que mostraPara que serve na prática
SCR (empréstimos e financiamentos)Todas as suas operações de crédito, saldo devedor e situação de pagamentoDescobrir dívida contratada em seu nome e conferir o que o banco enxerga de você
CCS (contas e relacionamentos)Contas, investimentos e relacionamentos com instituições financeirasAchar conta aberta por terceiro e localizar valores esquecidos
Chaves PixChaves cadastradas em seu CPFIdentificar chave registrada sem autorização
Cheques sem fundo (CCF)Registros no cadastro de emitentesEntender restrição que não aparece no birô
Câmbio e certidão negativaOperações de câmbio e situação de débitosComprovação documental quando exigida

O volume mostra que a ferramenta deixou de ser nicho. Segundo apresentação do Banco Central, o Registrato já acumulava mais de 83 milhões de relatórios emitidos, sendo 27,9 milhões apenas em 2024.

Se fosse comigo, eu puxaria o SCR e o CCS uma vez por ano, e imediatamente diante de qualquer suspeita de uso indevido do CPF. É o único lugar onde você vê a dívida que o birô não registrou porque nenhuma empresa mandou a informação, e é a prova documental que sustenta uma contestação. Quem teve crédito recusado sem entender o motivo encontra ali boa parte da resposta, como explico em empréstimo negado e o que fazer.

Como identificar site ou aplicativo falso que cobra pela consulta

A regra é curta. Cobrança para revelar sua pontuação, para “desbloquear” o score ou para liberar um crédito antes da contratação é golpe. Na melhor das hipóteses, é venda de algo que a lei já lhe dá de graça.

O Banco Central é explícito ao dizer que nenhuma instituição pode exigir pagamento antecipado para liberar crédito. Antes de informar dados a qualquer plataforma, confira se a empresa é autorizada na consulta pública Encontre sua instituição, mantida pelo próprio Banco Central. A resposta “nenhuma instituição encontrada” significa que aquele nome não está autorizado a operar.

Faça a conta do prejuízo evitado. Uma cobrança de R$ 49,90 por uma consulta gratuita por lei parece pequena, só que ela raramente vem sozinha. O objetivo real costuma ser capturar CPF, data de nascimento e nome da mãe para abrir crédito no seu nome. O dado vale muito mais que a taxa.

Quatro sinais aparecem quase sempre nos casos que chegam até mim. O contato parte de WhatsApp ou de ligação sem que você tenha procurado a empresa. O endereço do site imita o nome de um birô conhecido, com uma letra trocada. O pagamento é pedido por Pix para chave de pessoa física, sempre com pressa artificial e prazo de poucas horas.

Se você já forneceu dados, peça o relatório do Registrato para verificar operações abertas em seu nome, registre reclamação no consumidor.gov.br e leve o caso ao Procon. Boletim de ocorrência também ajuda, porque ele sustenta a contestação junto à instituição que concedeu o crédito fraudulento.

Encontrou informação errada, o prazo de correção é de 5 dias úteis

O consumidor pode exigir correção imediata de dado inexato, e o arquivista tem prazo definido em lei para comunicar a mudança. Esse prazo é de cinco dias úteis.

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 43, parágrafo 3º, determina que o consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, pode exigir a correção. O arquivista precisa comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas no prazo de cinco dias úteis. A LGPD reforça esse direito no artigo 18, e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados registra que o titular não pode ser cobrado pelo exercício dos seus direitos.

Monte o pedido com prova. Reúna o comprovante de pagamento ou o termo do acordo, o número do contrato e um print da tela onde o dado errado aparece. Abra o protocolo pelo canal oficial do birô e guarde o número gerado. Se a informação errada partiu do credor, faça o mesmo pedido a ele, porque o birô só corrige o que a fonte reenvia.

O erro mais comum não é a dívida inexistente, é a dívida paga que continua aparecendo. Acontece quando o credor demora a informar a baixa, e o consumidor, sem comprovante guardado, perde a discussão. Guarde o documento de quitação por cinco anos. Esse é o prazo máximo de permanência de informação negativa, previsto no artigo 43, parágrafo 1º, do mesmo código.

Se o birô não corrigir no prazo, a escalada tem ordem. Registre reclamação no consumidor.gov.br, leve ao Procon do seu estado e, em caso de tratamento indevido de dados pessoais, apresente petição à ANPD. Cobrar a correção por telefone sem protocolo é o caminho mais rápido para não resolver nada.

Como pedir revisão de uma decisão automatizada

Quando um sistema nega seu crédito sem intervenção humana, você tem direito de pedir revisão e explicação. Isso está no artigo 20 da LGPD.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados lista esse direito entre os direitos dos titulares, ao lado do direito de solicitar explicação sobre os critérios usados na decisão. A mesma página registra que pedidos sobre origem dos dados devem ser atendidos em até 15 dias. O titular também não pode ser cobrado pelos custos do exercício dos seus direitos.

Na prática, o pedido funciona melhor quando é específico. Em vez de perguntar por que o crédito foi negado, peça a confirmação de que a decisão foi automatizada. Solicite os critérios gerais considerados e a revisão do caso com análise humana. Some a isso a lista de consulentes dos últimos seis meses, que o Decreto 9.936/2019 obriga o birô a fornecer.

Uma expectativa precisa ser ajustada. A empresa não é obrigada a revelar o segredo comercial do modelo, e a Súmula 550 do STJ garante esclarecimentos sobre os dados valorados e as fontes, não a fórmula. O que você consegue é saber quais informações entraram na conta, o que já basta para identificar um dado errado ou desatualizado.

O que eu faria no lugar do leitor é usar os dois caminhos ao mesmo tempo, pedindo revisão à instituição que negou e correção ao birô que forneceu o dado. Vale conferir também o que está sendo reportado ao Cadastro Positivo. Parte das negativas vem de ausência de informação, e não de informação ruim.

Perguntas frequentes sobre consultar o score grátis

Consultar meu próprio score derruba a pontuação?

Não. A consulta feita pelo titular é classificada como autoconsulta e não entra no cálculo, como afirmam tanto a Serasa quanto o SPC Brasil em suas páginas de conteúdo. O que pode pesar são as consultas feitas por empresas ao seu CPF quando se concentram em pouco tempo, porque elas sinalizam procura intensa por crédito.

Preciso pagar para ver o score completo?

Não para a pontuação e o histórico básico, que são gratuitos por força da Lei 12.414/2011 e do Decreto 9.936/2019. Alguns birôs vendem assinaturas com monitoramento, relatórios detalhados e ofertas de renegociação, o que é legítimo desde que o acesso básico continue disponível sem custo. Cobrança pela consulta simples é irregular.

Posso consultar o score de outra pessoa?

Não. O acesso é vinculado ao CPF do titular, que precisa autenticar a própria identidade, e a LGPD trata esses dados como pessoais. Consultar o CPF de terceiro sem autorização expõe quem consulta a responsabilização civil.

O Registrato mostra meu score?

Não. O Registrato é do Banco Central e mostra operações de crédito, contas, chaves Pix e câmbio registrados em seu nome, sem calcular pontuação. Score é produto dos birôs privados, e os dois relatórios são complementares, porque um mostra o resumo estatístico e o outro mostra os contratos concretos.

Quanto tempo leva para o score mudar depois que eu pago uma dívida?

Depende do envio da informação pelo credor ao birô, o que costuma levar de alguns dias a algumas semanas. A exceção conhecida é o pagamento de dívida negativada por Pix dentro da plataforma de renegociação da Serasa. Esse pagamento atualiza a pontuação em tempo real desde o modelo adotado em janeiro de 2025.

Meu score é bom, mas mesmo assim o crédito foi negado. Faz sentido?

Faz. A pontuação é um dos critérios, e a instituição também avalia renda, comprometimento da renda com parcelas, tempo de relacionamento e política interna de risco daquele mês. Por isso vale puxar o Registrato antes de insistir, para entender quanto de dívida já consta em seu nome.

O que fazer com o número depois de consultar

O valor da consulta não está no número, está no extrato que vem junto. Minha posição para a maioria dos leitores é tratar a pontuação como sinalizador e o relatório de pendências como documento de trabalho. É ele que aponta a dívida específica, a data e o credor que você precisa procurar. Quem olha só o número fica sabendo que tem um problema, sem descobrir qual.

Escolha um birô para acompanhar todo mês e marque uma data fixa, de preferência depois do vencimento das suas contas principais. Uma vez por ano, abra os outros três e puxe o SCR e o CCS no Registrato para conferir o que existe registrado em seu nome no sistema financeiro. Esse conjunto leva cerca de uma hora e cobre praticamente tudo o que o mercado sabe sobre o seu crédito.

Se a consulta revelar algo errado, comece hoje pelo protocolo no birô com o comprovante em mãos. O prazo de cinco dias úteis só começa a correr depois do pedido formal. Para entender o que cada faixa significa antes de decidir o próximo passo, vale a leitura sobre o que é score de crédito. O restante do material está reunido na seção de score do Quero Crédito.

Este texto é informativo e educacional, e não substitui a análise do seu caso concreto. A consulta gratuita ao score e aos relatórios oficiais mostra dados, mas a interpretação deles depende da sua renda, das suas dívidas e dos seus planos. Para contestar registros ou discutir uma negativa de crédito, procure a instituição envolvida, o Procon ou um profissional habilitado.

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